HQs à mostra!

Convite Axé Comics22222222222Exposições de quadrinhos na Bahia

POR MARCELO LIMA

As histórias em quadrinhos sofrem de uma indefinição conceitual quanto ao seu status, por mais que se tenha tentado colocar em palavras claras a especificidade desse tipo de arte. Teóricos como Scott McCloud e Thierry Groensteen dedicaram parte de suas obras à conceituação das HQs, na busca por diferenciá-las das demais artes humanas. No entanto, ainda é muito comum que essa forma de arte seja tomada como uma espécie de literatura ou como um ramo da ilustração. Apesar dessa “indefinição” ser prejudicial – não há espaço nem editais específicos para os quadrinhos – ela também permite que as obras da chamada nona arte transitem tanto em livrarias e bibliotecas quanto galerias e museus. E é justamente sobre as exposições de arte de histórias HQs baianas que essa reportagem discorrerá.
Wilton Bernardo, criador da Oficina HQ e diagramador, é provavelmente o maior curador de exposições de histórias em quadrinhos baianas. Ele já expunha trabalhos antes de se formar pela Escola de Belas Artes da UFBa, mas foi a partir da criação da Oficina HQ, em parceria com a escola de inglês EBEC, que começou a organizar suas exposições de quadrinhos, que contam com trabalhos próprios e de outros artistas. Dentre as mostras sob sua curadoria se destacam: “Releitura do Batman”, “Ícones POP”, “45 anos de Homem-Convite Axé ComicsAranha” e atual “Axé Comics”. Segundo Wilton, a “Axé Comics” é uma exposição de artes gráficas, portanto não somente de quadrinhos, como também de ilustração e caricatura, e é a exposição que ele mais se esmerou para ser perfeita.
A Axé Comics surgiu de três fatos isolados, mas entrelaçados entre si: 1) como homenagem ao Dicionário de Baianês de Nivaldo Lariú e Nilson Lage,tido pelo curador como obra de valorização da baianidade; 2) aos 25 anos do axé, ritmo que ele conheceu em 1991 durante um show relâmpago de Daniela Mercury, na Escola de Engenharia. Naquela época ele nunca havia escutado sobre a cantora, mas ficou surpreso com a quantidade de fãs que ela tinha; 3) da busca pelo entrelaçamento entre quadrinhos e cultura popular, estimulada pela Ação Cultura Oficina HQ. A exposição foi patrocinada pela Caco de Telha Produções e esteve aberta à visitação entre os dias 30 de março e 22 de abril. Atualmente é possível acessar a versão on-line da exposição: http://www.oficinahq.com/axecomicsite/index.htm
Sobre seu processo de elaboração de uma exposição, Wilton afirma não pensar sobre um público específico e sim em boas ideias. A partir de conceitos que lhe agradam ele faz a seleção de artistas e de obras – para ele o profissionalismo do que vai ser exposto é essencial. Para os artistas que desejam criar suas próprias exposições, Wilton Bernardo indica o apoio oferecido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) através de seus calendários de apoio e editais.
Joelma Felix, funcionária da Diretoria de Artes Visuais da Funceb, explica que a instituição incentiva a organização de exposições de quadrinhos por acreditar na existência de público para a arte sequencial e na ocupação de diferentes espaços como ferramenta para formação de público. Nesse sentido, o cartunista Rodrigo Minêu concorda, embora assinale a necessidade da aliança entre quadrinhistas e empresas privadas para que projetos quadrinhísticos possam se lançar com maior divulgação e qualidade.
Joelma Félix enumera duas exposições de quadrinhos realizadas pela Funceb: 1) Imagem em 5 Quadrinhos 2008: exposição coletiva de quadrinhos e cartuns que integrou a programação do XVII Festival Nacional de Vídeo em 5 Minutos, na Galeria Xisto Bahia, com apoio da Oficina de Quadrinhos e da DIMAS e contou com a participação de 15 artistas e com público  de 302 pessoas. Para esta exposição realizou-se uma chamada pública para quem quisesse participar; 2) Imagem em 5 Quadrinhos 2009: exposição nos mesmos moldes da de 2008, só que com um número menor de artistas, integrando também a programação do XVIII Festival Nacional de Vídeo em 5 Minutos, na Galeria Xisto Bahia, com público de 220 pessoas.
2008-09-19_convite_virtualEla revela ainda dados sobre a evolução de editais da Funceb que contemplam os quadrinhos. Segundo ela, em 2007 não houve nenhum edital que permitisse inscrição de trabalhos de HQs e em 2008 existiu somente um. Tanto em 2009 quanto em 2010 esse número aumentou para dois editais em cada ano. O Calendário de Apoio a Projetos, que faz chamadas de projetos durante o decorrer do ano, sempre permitiu financiamento de projetos de HQs. Ainda não existe edital específico para a linguagem das HQs.
Apesar de todo apoio oferecido pela Funceb, o artista baiano Valmar Oliveira considera a burocracia para acessar esses apoios um obstáculo e duvida da qualidade do que é incentivado por órgãos governamentais como a Secretaria de Educação. Para ele, o maior desestímulo, no entanto, é outro. Ele diz: “já vi professores de arte, da faculdade de artes, falarem que hqs não são artes, e outros também afirmarem que é arte. Para mim, como artista e educador, é uma arte e não uma arte nova, pois ela vem sendo aperfeiçoada desde a pré-história e tomou a forma que conhecemos no final do século XIX e inicio do século XX. Mas ainda hoje é considerado cultura inútil, coisa para semi-letrados, e relegados a um terceiro plano, mesmo movimentando rios de dinheiro”.  Para Minêu, também há rejeição aos quadrinhos, o que ele considera lastimável “porque o cartunismo é uma arte muito verdadeira, sem espaços para artistas fraudulentos”.
Mesmo com todo o descrédito enfrentando pelos quadrinhos, Wilton Bernardo se mantém esperançoso e recomenda: “As coisas são lentas. Mas acho que sempre desejaremos mais atenção. É um fato que as artes gráficas precisam se desenvolver mais, ganhar mais espaço. Mas precisa partir dos artistas gráficos a vontade de realizar.”
Editais abertos que contemplam projetos de HQs:
MATILDE MATOS – APOIO À CURADORIA E MONTAGEM DE EXPOSIÇÕES NO ESTADO DA BAHIA: http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/editais/2010/05/matildematos/matildematos.html

2 Comentários para “ HQs à mostra! ”

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