Sobre gays da direita republicana e direitos dos homossexuais

 João Araújo

 No último dia 03 de março o senador republicano estadunidense Roy Ashburn, pai de quatro filhas, foi preso por dirigir bêbado. O congressista estava em um carro do governo com um “rapaz não-identificado”, e sua prisão se deu a poucas quadras de uma boite gay em Sacramento, no meio da madrugada. Rumores acerca da sexualidade do senador não demoraram a surgir, e cinco dias depois, Roy – que, vejam só, havia votado contra todas as propostas apresentadas para expandir os direitos legais para a população LGBTTIQ, do direito ao casamento à instituição do Harvey Milk Day – assumiu a própria homossexualidade num programa de rádio.

 O grupo Equality California, que defende a expansão dos direitos LGBTTIQ no estado pelo qual o senador foi eleito, deu consecutivos zeros a Ashburn em sua tradicional avaliação de políticos que apóiam a causa. No mesmo programa de rádio em que saiu do armário, Ashburn disse que tinha que defender, nas votações no senado, a posição do seu eleitorado, não a dos gays.

 O coordenador do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CULT-UFBA) Leandro Colling, doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pelo PPGCCC, da Facom-UFBA com tese na área de mídia e eleições, afirmou: “Queria ver o que iria acontecer se alguém disesse que está votando a favor dos seus eleitores machos, brancos e de classe alta”. Colling acredita que esse escândalo mostra mais uma vez o poder da homofobia. “Por causa dela, um gay, ao invés de lutar por conquistas para a comunidade gay, vira um anti-gay. Sem pensar nisso, iremos individualizar um problema que, assim, nunca será resolvido”.

Nos Estados Unidos, várias organizações como a Equality California vêm conseguindo diferentes níveis de avanços legais quanto aos direitos LGBTTIQ junto aos governos estaduais. Aqui no Brasil, temos o PLC 122/2006, antigo Projeto de Lei nº 5003-b/2001, apelidado por conservadores de “Lei da Mordaça Gay”, em tramitação no Legislativo já há quase uma década. O projeto, que sofre grande resistência da bancada religiosa, pretende enquadrar discriminação por identidade de gênero e orientação sexual na categoria de crimes de discriminação ou preconceito, e vive “pra lá” e “pra cá” no Senado.

Brasil ssaindo_doarm_rioem homofobia

Há também o Programa Brasil Sem Homofobia, que segundo Colling “foi um importante passo, mas anda muito lentamente”. Em Salvador, temos a lei municipal que proíbe discriminação por orientação sexual em estabelecimentos comerciais, sob pena de perda do alvará de funcionamento. No Legislativo, as vereadoras Leo Kret do BrasilMarta RodriguesVaniaGalvão e Olivia Santana são nomes que se sobressaem no combate à homofobia.

A respeito da não-aprovação da PLC 122/2006, Leo Kret, que se denomina transexual, afirmou que é “um retrocesso para o Brasil ver tantos/as cidadãoes/ãs brasileiras assassinadas, agredidos/as e discriminados/as sem uma lei que os/as protejam e, especialmente, tendo direitos civis negados”. Questionada se há resistência à proposição de leis que venham a ampliar os direitos da população LGBTTIQ em Salvador, a vereadora disse que se identificar qualquer resistência denunciará “sem pena, pois temos que ter consciência de nossa responsabilidade”.

Um Comentário para “ Sobre gays da direita republicana e direitos dos homossexuais ”

  1. munoz@anglicans.haaser” rel=”nofollow”>.…

    good info….

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