Profissionalizando as cozinhas

Bárbara Lisiak  e Adalton dos Anjos

Com um ano de existência, curso de Gastronomia da UFBA busca se afirmar no mercado

Coordenadora+do+curso_Roseanne+Dantas(a)Dominar as técnicas que mexem com o prazer gustativo e entender a cultura gastronômica de diversas regiões do mundo são alguns dos conhecimentos esperados de um Bacharel em Gastronomia pela Universidade Federal da Bahia. Apesar deste profissional ainda não estar pronto para o mercado pelo fato do curso ter somente três semestres, a profissão já carrega o status de “glamour”.

O perfil dos alunos que compõe até então as turmas é bastante variado. De acordo com o estudante Andretty Coimbra, aluno desde o semestre inaugural de Gastronomia, seus colegas de sala variam em idade, profissões, outras formações e até quanto aos objetivos de estarem se dedicando ao curso. Há uma grande quantidade de alunos de outras áreas, como médicos, dentistas, advogados, engenheiros, entre outros. Alguns destes alunos com mais de uma graduação procuram unir o conhecimento de duas diferentes áreas, enquanto outros buscam a Gastronomia apenas como um passatempo ou realização pessoal. “Tem gente que entra sem saber o que é gastronomia”, afirma Coimbra.

Este tipo de apropriação do curso pode trazer prejuízos para profissão de gastrônomo, que ainda está se consolidando. O curso precisa ser levado para o mercado de trabalho e formar uma geração de futuros professores para a área. “Como professora, às vezes é desanimador, quando você vê que não está investindo em nada, que eles não farão nenhuma diferença no mercado. No máximo, vão levar o curso para um grupo de amigos”, comenta a coordenadora do colegiado do curso de Gastronomia, Roseanne Porto Dantas (foto).

Além do bacharelado, há outras modalidades de cursos na área, que aumenta a confusão entre as nomenclaturas existentes.  O SENAC é um curso para nível médio voltado à prática. As graduações tecnológicas de universidades como a UCSAL, Estácio-FIB, Unijorge, entre outras, têm curta duração, dois anos em média, e são, normalmente, voltados para gestão de empreendimentos gastronômicos, formando gastrólogos. E o curso oferecido pela UFBA dá o título de gastrônomo.

Mas o diploma não é suficiente para garantir uma vaga no mercado de trabalho. Esses profissionais têm que disputar com cozinheiros já renomados sem formação acadêmica. E quem vence: aquele que tem a prática ou o conhecimento adquirido na academia?

De acordo com Roseanne Dantas, depende também da postura interpessoal do profissional, já que “o mercado está aberto, mas para quem quer fazer diferente e que tenha substrato”.

Para aqueles com essa postura, o curso de Gastronomia está se firmando como uma boa opção para quem quiser se aprofundar na área. Com um ano de existência, os alunos já tiveram oportunidade de várias atividades de extensão, como visitas técnicas e participações em eventos, e no segundo semestre de 2010 já terão a disponibilidade de um prédio novo, com cozinhas e salas equipadas para a prática, na própria Escola de Nutrição da UFBA. Enquanto isso, os estágios estão em fase de estabelecimento de convênios, assim como a implantação da área de pesquisa, que será definida a partir de um estabelecimento de uma grade fixa de professores, ainda em conformação.

É uma opção recente de curso e com poucas opções no Brasil, já que a maioria são formações tecnológicas e há somente três bacharelados em Gastronomia, com quatro anos de duração. E apesar das críticas dos alunos às dificuldades de um curso novo, até então há poucas desistências para um curso com 45 alunos a cada semestre. O encantamento ou o glamour parece manter a presença dos estudantes.

Mas para aqueles que ainda acreditam no glamour da profissão, Coimbra e Roseanne Dantas deixam claro que é preciso ter bastante amor pela gastronomia. A coordenadora afirma: “É preciso ficar 14 horas em pé trabalhando em um evento e ao terminar o evento e colocar os pés para cima e se sentir feliz”.

Um Comentário para “ Profissionalizando as cozinhas ”

  1. californians@workmen.unavailing” rel=”nofollow”>.…

    ñïñ çà èíôó!…

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