Passar uma tarde em Itapuã bebendo Porongo

"Seu Miro" e o Pedra que Ronca

"Seu Miro" e o Pedra que Ronca

 Ângela Machado

O  Porongo  é uma bebida  surgida em Itapuã nos anos 1960, obtida com a mistura de jurubeba Leão do Norte, limão, mel, canelinha e água de flor. Foi inventada pelo ex -pescador e pedreiro, de 79 anos, Claudemiro Souza, o Miro,  nascido e criado  no bairro e irmão de Biriba, famoso jogador do Bahia.  O resto da receita – uma “garrafada”, como dizem seus apreciadores – é guardada no mar de mistérios de Itapuã. “Porongo não é mole não, dizem que é afrodisíaca; eu posso comprovar por experiência própria”, afirma Miro, com um sorriso largo, ao tempo em que corta limões e mistura ingredientes.  

Mesmo passando despercebida da grande população, a existência da bebida, apoiada em sólida fama local, como “medicinal e afrodisíaca”, é consumida diariamente por “iniciados”, no popular bar Pedra que Ronca, localizado à Rua Genebaldo Figueiredo, esquina com a movimentada Avenida Dorival Caymmi e pertinho da Praça da Sereia de Itapuã. Enquanto “Seo” Miro prepara uma das mais de 50 doses diárias um clima de camaradagem predomina no ambiente.  O motorista Saul Costa, freqüentador de  fim  de semana, afirma que “não é um simples consumidor, mas um degustador, porque o sabor exótico do Porongo a gente não encontra em nenhuma outra. È bom demais! Ao ser questionado sobre as veleidades afrodisíacas da bebida, ele responde  em meio a um gole:  “Pergunta pro Miro quantos filhos ele tem“. Oito, responde prontamente Miro.

No local, que já foi um campinho de areia, enquanto “Seo” Miro prepara a sua alquimia, o passado e o presente constroem uma linha no tempo. O porongo é uma bebida de roda de amigos, artesanal e comunitária que faz parte do passado, quando Itapoan ainda era uma afastada vila de pescadores.

Como conta “Seo” Miro, até os anos 1970 “a vida era boa, tranqüila, era um paraíso, a gente dormia de porta aberta. Nem transporte tinha”.  A vida mansa ao sabor da brisa e do mar de Itapoan era acrescentada às rodas de samba promovidas pelos moradores.  “Então era muito samba e para acompanhar essa boemia toda inventei a bebida assim, na hora, depois fui aprimorando”, afirma “Seo” Miro.

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