Misticismo é o forte na Ponta do Humaitá

O por-do-sol do Humaitá é um dos mais bonitos de Salvador

O por-do-sol do Humaitá é um dos mais bonitos de Salvador

Renata Vidal

A Ponta do Humaitá é um dos pontos turísticos tradicionais de Salvador. Localizada na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa, tem como símbolos a Igreja e o Mosteiro de Monte Serrat – obras do Arquiteto italiano Baccio de Filicaya, no século XVI, restaurados pelo governo do estado em 2001 e abertas para a visitação -, e o farol de mesmo nome.
O encanto do lugar deixa-se notar nos freqüentadores: casais de namorados, famílias de banhistas e pescadores, todos desfrutando da brisa, do sol e do mar, mesmo em plena quarta-feira pela tarde. Quando o sol começa a dar sinais de que vai embora, começam os preparativos para a abertura do bar Clube de Iates de Itapagipe, que funciona numa casa antiga que ostenta orgulhosamente sua data de construção, 1619.
Aspecto muito comentado por todos é o misticismo que envolve o lugar. “Esse é um lugar muito bonito, que infelizmente muitas pessoas não conhecem e que tem uma energia muito boa. Aqui temos uma outra perspectiva da Baía de Todos os Santos que eu adoro. Sempre que posso venho aqui”, diz Clara Dias, estudante de Nutrição de 20 anos e moradora do bairro da Pituba.
A Ponta do Humaitá tem uma tradição religiosa, mas não somente pelo culto católico com sua Igreja, mas também em razão de cultos sincréticos que envolvem as religiões de origem africana, dos antigos escravos. A senhora Maria Inah de Almeida, 83 anos lembra de que na sua juventude o Humaitá era local onde se faziam oferendas a Oxalá e a Oxum para “abrir os caminhos” e fala de uma mítica “Loca da Sereia”, que seria uma pedra onde as oferendas eram preferencialmente feitas. Hoje ainda é possível notar em um passeio rápido, vestígios de que essas oferendas continuam sendo feitas, mantendo vivas as crenças no misticismo do lugar.
Segundo o projeto conhecido como Via Náutica nove terminais de embarque e desembarque seriam construídos em vários pontos da Baía de Todos os Santos, entre eles o Terminal do Humaitá, único que foi concluído. Atualmente em desuso, as instalações existem como um embarcadouro fantasma, que somado à atmosfera do lugar parece oferecer viagens para o lugar que o viajante sonhar.

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