A arte do deslocamento

Grupo Le Parkour Salvador (Foto: Marcel Ayres)

Grupo Le Parkour Salvador (Foto: Marcel Ayres)

Marcel Ayres

 

 Que Salvador é conhecida por ser a terra da capoeira, isso todo mundo sabe. Mas quem diria que se tornaria, também, palco do Le Parkour. De 2005 para cá, o número de praticantes vem aumentando na capital baiana, e as praças e parques da cidade se tornam pontos de encontro para jovens que admiram a atividade: seja em busca de uma nova diversão ou de um estilo de vida.   

Le Parkour – o percurso – foi criado durante a década de 1980, por David Belle, atleta que se inspirou em técnicas de salvamento do Corpo de Bombeiros Francês e no Método Natural criado por George Hébert, um programa de exercícios físicos que dispensa aparelhos. A atividade consiste em deslocar-se de forma rápida e eficaz de um ponto a outro em um determinado espaço, usando o corpo como instrumento para superar os obstáculos no percurso. Com o tempo, a prática se espalhou pelo mundo, ganhando mais adeptos e gerando outras vertentes como o free running.

No Brasil, o Parkour chegou por volta de 2001 e logo ganhou popularidade nas grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a cultura street já é bem consolidada. Alguns traceurs – nome dado aos praticantes – afirmam que a internet é o principal veículo de difusão da prática. Vinícius Queiroz, traceur há dois anos, explica que na internet é possível encontrar inúmeros sites, blogs, comunidades, vídeos, qualquer tipo de material relacionado ao Parkour. Além disso, segundo ele, a web potencializa o contato entre praticantes de todo o mundo.

Em Salvador, quem faz Parkour opta, principalmente, pelos parques e praças da cidade devido ao espaço e à grande quantidade de obstáculos que são utilizados nos treinamentos. Algumas pessoas, por exemplo, se reúnem regularmente no Dique do Tororó, na Abaeté e no Parque da Cidade, mas é na Praça do Costa Azul que se concentra o maior número de praticantes. Todos os sábados, às 14h, jovens de diversos bairros da cidade se encontram para ultrapassar os limites da gravidade com saltos e movimentos espetaculares.

De acordo com Thiago Xavier – outro traceur baiano –, em Salvador, para quem tem curiosidade sobre Parkour e pretende aprender, basta entrar em comunidades no Orkut como, por exemplo, a do grupo Pakour Salvador, que auxilia iniciantes e disponibiliza informações sobre os locais de encontro, eventos e técnicas de treinamento.

Muito além de um exercício físico, ou de um “esporte radical”, o Parkour se torna, para alguns, um modo de encarar a vida. Embora a grande maioria das pessoas procure esse tipo de atividade por curiosidade ou apenas para fortalecer os músculos, os traceurs mais antigos dizem que há, sim, uma filosofia, e que ela ensina condutas como o altruísmo e o espírito coletivo. Xavier aponta que o Parkour não foi criado apenas para pular prédios, como muitos pensam. Seus movimentos e técnicas podem ser utilizados, por exemplo, para situações de perigo ou fuga.  

            Uma coisa é certa: nessa terra chamada Soterópolis tudo é possível. Práticas como o Le Parkour são provas de que não existem limites entre países distantes ou culturas diferentes. Através desse modo de vida, aprende-se a cuidar e valorizar o corpo, a ajudar o próximo e ultrapassar não apenas os obstáculos de concreto que estão espalhados pela cidade, mas, também, as indiferenças e dificuldades que surgem no dia-a-dia.

Um Comentário para “ A arte do deslocamento ”

  1. phosphorus@anybodys.extraterrestrial” rel=”nofollow”>.…

    good!!…

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