Retrato da artista quando jovem

Ledson Chagas

Quando será que surge um artista? Nos concentrados momentos de solitária criação? No reconhecimento obtido por um público ou instituição? Ou é coisa ‘de nascença’? Para a artista plástica Niéjila Brito, 22 anos, que traz para a Galeria Abdias do Nascimento, no Instituto Mauá (Pelourinho), sua exposição de mandalas, intitulada “Mantras que saem do vinil”, isso é algo sem uma resposta definida.

Niéjila Brito

Niéjila Brito

Tendo iniciado sua produção artística por volta dos 10 anos de idade, quando produzia e vendia pequenos anéis feitos de nylon e miçangas de plástico, Niéjila conta que foi na adolescência que teve a certeza de que queria fazer isso, viver de arte. Sobretudo quando tomou contato com a cultura hippie. “Na verdade, comecei mesmo foi do outro lado, comprando o artesanato. Mas aí, eu ficava prestando atenção naquele tipo de vida dos hippies… gostava das cores, da liberdade artística e isso me encantou”, afirma. Dos aneizinhos vendidos às colegas e funcionárias da escola em que estudava, a artista abandonou o plástico e passou, então, a adotar outros materiais como aço, bronze e palha da costa, para produzir estilizadas pulseiras, brincos, tornozeleiras e colares. Ela conta que as mudanças ocorreram também em seu visual, adotando elementos do vestuário hippie, mas isso, como uma fase inicial. “A mudança veio por etapas e, ainda que eu não tivesse total consciência disso, primeiro vieram as mudanças externas (de visual). Só depois mudou o interior”, explica.

Grãos e sementes compondo a mandalaDaí para que pusesse o pé na estrada, foi uma questão de tempo. “Fiz uma viagem, esse ano, para Pernambuco, que marcou muito minha identidade, tanto no que diz respeito a minha ligação com o movimento hippie, quanto na minha identidade artística mesmo”. Nesse ínterim, começou a desenvolver seus trabalhos com mandalas, sua paixão atual. Niéjila explica que o básico das mandalas é sua forma circunférica, mas a liberdade é total no uso dos materiais para a composição. O mais inusitado de suas mandalas, é que elas possuem discos de vinil, e CDs como suporte, sendo que os materiais utilizados para dar textura variam das cascas de ovo quebradas até sementes, grãos e búzios. Algumas lembram chamas, outras, plantas. Há também as aquáticas e as telúricas. Mas as leituras, enfim, são abertas.

"Mantras que saem do vinil"

"Mantras que saem do vinil"

Se não há um momento exato para o nascimento do artista, também não há garantias de permanência nessa vida, muito menos para artistas iniciantes. É algo que se tem de conquistar aos poucos, um passo por vez. No caso de Niéjila, as pessoas que observam a riqueza de detalhes de suas mandalas, e imaginam o quão trabalhoso deve ser produzi-las, nem desconfiam que a jovem artista plástica é obrigada a dividir seu momento de produção com um emprego formal, como operadora de telemarketing. “Lá busco uma grana, que é pequena, mas é garantida”, explica. Niéjila conta que, apesar da necessidade financeira, acaba não se prendendo aos empregos formais, permanecendo pouco tempo neles. Talento ela tem de sobra para continuar apostando em si mesma. “Sabe quando você tem certeza que esse é seu caminho? Tenho certeza que esse é o meu”.

Fotos: Ledson Chagas

Um Comentário para “ Retrato da artista quando jovem ”

  1. villain@boroughs.irrawaddy” rel=”nofollow”>.…

    tnx for info!…

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