João Martins, o poeta da cor

João Martins "de bem com a vida"

João Martins "de bem com a vida"

“Um sujeito de bem com a vida”. Estas são as palavras do poeta e artista plástico João Martins, 60,  para qualificar a sua pessoa. Ele também se considera como “um cara simples, dentro da sua poesia”. E sua poética é feita de versos e cores. João Martins pinta telas e escreve poemas. Nas suas exposições, as duas artes (pintura – acrílica sobre tela – e poesia) são apresentadas lado a lado. Ambas refletem o jeito de ser alegre e espontâneo de João.

Sua maior inspiração é a natureza. Assim, pinta quadros com imagens múltiplas de paisagens, frutas, flores, animais, gaiolas, casarios, entre outros elementos. A quase totalidade deles compõe o cenário do universo infantil vivenciado em Irará, sua terra natal. A exuberância de cores dos trabalhos plásticos de João Martins, aliado aos seus versos, lhe valeram a alcunha de poeta da cor.

O apelido foi dado pelo amigo e mestre Floriano Teixeira.  Logo, logo, a imprensa já se referia ao artista desta maneira. “Eu quero esse apelido”, disse João, feliz da vida, quando percebeu o seu trabalho na mídia baiana. O fato se deu no ano de 1998, após a sua primeira exposição individual, intitulada “A Poesia das Cores” na Casa do Comércio em Salvador.

Foi nesta época, após se aposentar da profissão de bancário, que João pôde se dedicar mais ao trabalho artístico. Antes não tinha muito tempo, nem mesmo conseguiu completar o curso de Belas Artes da UFBA, tendo que interrompê-lo no início dos anos 80.

Poesia acompanha pintura reproduzida em verso de cartão telefônico

Poesia acompanha pintura reproduzida em verso de cartão telefônico

A caminho da arte

Ingressar na Escola de Belas Artes foi uma das motivações para a migração de João para Salvador em 1977. O incentivo veio de amigos e parentes que já naquele tempo conviviam com a arte dele em Irará. Desde capas de trabalhos escolares até desenho de tipografias para anúncios, geralmente solicitados pelos professores. Nesta fase escolar, o jovem João Martins venceu dois concursos: um deles sobre poesia no próprio colégio; e o outro, com o objetivo de escolher o símbolo da Filarmônica da cidade.

Naquela época, João vivia arte na escola, na rua e até no trabalho. Através de um cunhado conseguiu o emprego de recebedor de bilhetes e operador de projeção, rodando filmes de 16mm, no cinema da cidade. “Eu achava aquele mundo fascinante”, lembra. Outra função que assumiu foi criar propagandas para os filmes, desenhando as tabuletas onde seriam divulgadas as fotografias ilustrativas das fitas que estariam em cartaz.

Estes foram os passos iniciais do jovem artista nascido em 23 de junho, véspera de São João. Por isso, seu nome em homenagem ao santo. Terceiro de uma família de treze filhos, João tem como uma das mais saborosas lembranças de infância os passeios à fazenda do avô, junto com a mãe e irmãos, para chupar caju. 

Reconhecimento

Aquelas lembranças são fortes na memória de João e foi com inspiração nelas que ele produziu a sua segunda exposição individual. Em 1999 voltou à cidade natal com as obras da coleção “Irará em Mim”. No trabalho ele quis mostrar o que sentia pela terra e o cultural do município. Daí em diante, o trabalho de João foi progredindo. No fim de 1999 fez em Salvador a Exposição “Cores Poéticas”.

Nos anos de 2000 e 2001, a Telemar lançou duas séries de cartões telefônicos, sendo cada uma com dez modelos, ilustrados com pinturas e poesias do artista. Em 2002, João foi um dos cinco artistas plásticos baianos que representaram o Brasil no XII Festival Latino Americano que aconteceu em Milão na Itália. O evento em prol da diversidade cultural reunia música, artesanato, dança gastronomia e artes plásticas. No palco musical nomes como Gilberto Gil, Bebel Gilberto, Daniela Mercury e o grupo O Rappa.

Dessa forma, João foi desenvolvendo sua arte. Seguiu dividindo seu tempo entre a pintura de novos quadros e os convites para exposições em diversos lugares do Brasil. No verão de 2009 João montou a Exposição “Curumins e Passarins”. A mostra foi apresentada no Hotel Sofitel de Costa de Sauípe e em Brasília, depois seguiu para Irará já no mês de abril.

Lupa usada para ver miniaturas

Lupa usada para ver miniaturas

A exposição, com cores vibrantes e quadros múltiplos na mesma tela, além de miniaturas que só podiam ser vistas com usos de lupas, foi uma homenagem aos índios da reserva do Xingu. Em Irará, com apenas três dias de exibição, a exposição contou quase mil visitantes, entre estudantes, autoridades, transeuntes e até vendedores ambulantes.

O próprio João, presente durante todo o evento, fazia questão de receber e cumprimentar a todos. Através das conversas, do contar das estórias e das explicações às crianças, seu caráter hospitaleiro se transparece, além do perfil de um artista que gosta de reverenciar a natureza.

E, por falar em natureza, vale o comentário de João Martins acerca das imagens recorrentes em seus trabalhos. Sobre sua fruta predileta, pelo sabor e pela estética, diz: “o casamento caju castanha é de uma plasticidade maravilhosa”. Quanto ao passarinho, animal pelo qual desde criança tem contemplação, considera que “além de ser tão bonito, tão simples, ainda voa, coisa que a gente não consegue”.

Detalhe de tela com figuras recorrentes do caju e do passarinho

Detalhe de tela com figuras recorrentes do caju e do passarinho

Exposição: Entra em cartaz no dia 09/12 a Exposição “A Poesia das Coisas” no Centro Universitário de Cultura e Arte da UEFS em Feira de Santana, permanecendo até 31/12.

Leia relato de entrevista de João à TVE Bahia.

Um Comentário para “ João Martins, o poeta da cor ”

  1. jed@indignantly.parti” rel=”nofollow”>.…

    good info!…

Deixe um Comentário

Pode usar estas tags XHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>