A Feira da Baía de Todos os Santos

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Na feira, a variedade de produtos é imensa

Criada há mais de 40 anos, durante a década de 60, após a destruição da Feira da Água de Meninos em 1964, a Feira de São Joaquim é um dos locais mais marcantes da cidade de Salvador. Mais de sete mil pessoas trabalham diariamente na feira popular, cujo público é, primariamente, moradores de baixa renda da Cidade Baixa.

De esculturas à artesanato, passando por artigos do candomblé, legumes e carnes, a feira atrai não somente compradores em busca dos menores preços da cidade, mas também inúmeros turistas e fotógrafos amadores e profissionais que tentam registrar os ângulos peculiares, e por vezes misteriosos, do comércio em São Joaquim. Os cheiros do lugar variam dos agradáveis temperos tradicionais e exóticos comercializados aos incômodos aromas de carne apodrecida, animais sujos e lixo acumulado.  Além disso, graças à proximidade com o mar, a maresia se mistura com seus diversos odores, provocando sensações que vão da inebriação ao asco.

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A sujeira toma conta dos corredores

Os corredores do local são apertados, possivelmente em decorrência do modo desordenado como a feira foi construída e expandida, e os transeuntes dividem espaço com crianças, carrinhos de mão, animais, vendedores e mercadorias espalhadas por todos os locais. É difícil dizer até onde a feira vai, uma vez que, graças aos seus labirintos, é natural acabar saindo por um lugar completamente diferente do que se entrou. Já os vendedores e clientes habituais, naturalmente, caminham tranquilos (ou muitas vezes apressados), sabendo exatamente por onde ir, que atalhos pegar (e olhe que são muitos!), e quais lugares evitar. Afinal, apesar do seu ar natural, informal e convidativo (apesar de alguns incômodos sensoriais, é verdade), a feira também abriga pessoas de índole duvidosa.

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Pouca coisa mudou na estrutura da feira nos últimos anos

A importância cultural e histórica da feira, entretanto, muitas vezes é ignorada. Ainda que projetos de tombamento e preservação sejam ressucitados a todo momento, quem visita o local percebe que o desenvolvimento exponencial da cidade de Salvador não chegou à maior feira livre da cidade. Ainda este ano, a Secretaria Estadual de Turismo anunciou um projeto de reurbanização, com um investimento estimado em R$ 27 milhoes. O Ministério Público, por sua vez, requereu em agosto a reestruração do ponto turístico e patrimônio cultural da capital baiana. No mês seguinte, o governador do estado, Jaques Wagner, anunciou a liberação de R$ 53 milhões, a serem investidos em obras de revitalização da Feira de São Joaquim e do Centro Histórico ainda este ano. Resta esperar que, finalmente, após décadas de anacronismo, a feira popular seja modernizada, mas sem perder as características que a fazem tão peculiar.

Fotos: Lucas Dantas

Um Comentário para “ A Feira da Baía de Todos os Santos ”

  1. bunter@quinzaine.embody” rel=”nofollow”>.…

    tnx for info….

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