Made in França: Rodin – Bahia já registrou mais de 14 mil visitações

" O  Beijo, 1886"

" O Beijo, 1886"

As obras do renomado escultor francês, August Rodin, em exibição desde o dia 26 de outubro, no Palacete das Artes, em Salvador, já conquistou mais de 14 mil visitantes e prossegue com um intenso número de agendamentos de grupos por dia. A exposição “Auguste Rodin, homem e gênio” é uma das atividades mais esperadas da programação do Ano da França no Brasil. Pela primeira vez fora da França por tanto tempo, já que ficará na Bahia até 2012, o projeto rendeu mais de três anos de intensas negociações entre o governo da Bahia e o Museu Rodin de Paris, além de um investimento estimado em R$ 1,5 milhão. Esforço merecido e recompensador, segundo o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles, “Esta é a primeira vez, que o Museu Rodin de Paris concorda em ceder por tanto tempo as peças do artista, e ter estas obras aqui é uma abertura para nossos artistas dialogarem com o mundo, sendo mais um atrativo para o turismo na Bahia”, ressalta. 
O diretor do Palacete das Artes, Murilo Ribeiro, almeja que os baianos reconheçam todo o esforço e recursos investidos, através de  um grande número de visitações, “Esperamos uma frequência recorde para justificar todo o investimento que fizemos”, pontua. A expectativa é que a exposição receba um milhão de pessoas nos três anos, sendo que  o público só poderá ver as obras gratuitamente, até o fim de 2009.
" OPensador, 1880" . Uma das mais importantes e reconhecida obra de Rodin.
” OPensador, 1880″ . Uma das mais importantes e reconhecida obra de Rodin.
 
As Obras  
 
O acervo cedido é avaliado em dez milhões de euros, o equivalente a R$ 26 milhões, composto por originais em gesso, que são registrados no inventário das coleções públicas francesas, sendo consideradas propriedade inalienável do Estado Francês. Entre as matrizes estão algumas das mais famosas obras de Rodin como “O Pensador”, “O Beijo”, “Eva”, “O Escultor e sua Musa” e a terceira maquete de “Porta do Inferno”.
Segundo a  museóloga e curadora da exposição no Brasil,  Heloísa Costa,  a mostra traduz a técnica do artista Francês, que costumava a trabalhar com este material, deixando que seus assistentes fundissem o metal para finalização e reprodução de suas obras, “Essas obras de gesso foram as realmente moldadas por Rodin. Foi no gesso que Rodin teve mais possibilidades de transmitir o movimento do corpo e as expressões. Somente depois o escultor passava seu trabalho para o mármore ou o bronze”, explica.  Considerando que para Rodin, somente o gesso era capaz de moldar sobre o que já fora criado, o metal, ou o mármore, impediam as torções e contornos necessários a sua representação artística. Algumas das obras de Rodin estão entre as mais famosas da escultura européia e universal.

Vida de Artista

 

René-François-Auguste Rodin (1840-1917)

René-François-Auguste Rodin (1840-1917)

  No dia 12 de novembro de 1840, em Paris, nascia um menino que mais tarde seria um dos mais importantes escultores francês. René-François-Auguste Rodin demonstrou desde criança grande interesse pelas artes, suas primeiras esculturas foram feitas na cozinha de sua mãe, com massa que ela usava para fazer pão.
Aos 13 anos de idade, entrou para uma academia de arte para aprender os princípios básicos das artes plásticas. Interessou-se e estudou também, por conta própria, anatomia humana para utilizar os conhecimentos na elaboração de suas esculturas. Aos 18 anos de idade, começou a trabalhar como modelador e ornamentista. Especializou-se na elaboração de esculturas em bronze.  Aos 18, após ser reprovado três vezes no exame de admissão à Escola de Belas-Artes, passou a trabalhar como moldador, confeccionando objetos ornamentais.  Em 1864, teve sua primeira obra “O homem de nariz quebrado” rejeitada pelo Salão de Paris. Os especialistas em arte do salão justificaram a rejeição afirmando que tratava-se de uma obra inacabada.
Logo depois,  Rodin afastou-se das exposições e passou a colaborar com Albert-Ernest Carrier-Belleuse na decoração de monumentos em Bruxelas. Em 1875, viajou para a Itália e teve contado direto com as obras, principalmente esculturas, dos artistas renascentistas Michelangelo e Donattello. Um ano depois  terminou a peça  “A Idade do Bronze”, uma obra que por sua perfeição, causou  muita polêmica, gerando comentários e críticas no meio artístico,  pois muitos afirmaram que Rodin teria usado como molde um modelo vivo.
Somente dois anos depois com a obra “São João Batista pregando”, que o artista, finalmente, foi reconhecido. Entre 1887 a 1890 junto à aluna, modelo e amante Camille Claudel, a fama de Rodin explode. Apesar do trabalho dos dois se confudirem, – levando as muitos críticos acreditarem que o escultor, aproveitando-se da locura da aluna para se apropriar, por meio de sua assinatura, de algumas das obras de Camille- , apenas o escultor levou toda a fama.
No começo desse século XX, já era considerado o maior escultor vivo. Seus últimos trabalhos são marcados principalmente por maior presença do erotismo nas representações. Além das esculturas, Rodin realizava trabalhos gráficos. Fazia ainda retratos de personalidades de sua época. Há um Museu Rodin em Paris e outro na Filadélfia que possuem vários exemplares da obra do artista.  Em 1908 o escultor se instalou no Hôtel Biron, palacete parisiense do século XVIII, transformado depois de sua morte no Museu Rodin. Admirado pela elite européia e considerado uma glória da França, Rodin morreu em Meudon em 17 de novembro de 1917.

Reconhecimento

"Os burgueses de Calais", uma das primeiras encomendas públicas feitas a Rodin. Representando seis calais que se entregaram ao inimigo para salvar a cidade, quando estava cercada pelos ingleses.

"Os burgueses de Calais", uma das primeiras encomendas públicas feitas a Rodin. Representando seis calais que se entregaram ao inimigo para salvar a cidade, quando estava cercada pelos ingleses.

Hoje, Rodin é considerado pelos especialistas em artes pláticas um dos mais importantes escultores em bronze de todos os tempos.  Sua obra teve grande influência do impressionismo e do simbolismo. Para os  críticos o trabalho de Rodin condensa vários estilos artísticos do século XIX, como o Romantismo, o Realismo, o Simbolismo e o Impressionismo.
Rodin vivia no meio de uma explosão cultural, frequentava seu atelier, pessoas como o brasileiro Alberto Santos Dummont, que Rodin imortaliza em um busto; o mago inglês Aleister Crowley, e todos os literatos, políticos e artistas de um momento de explosão cultural na europa centralizado em Paris. Auguste conquistou fama em vida, e suas obras chegaram a ser as mais apreciadas no mercado de arte europeu e americano, que  encontram-se nos museus mais importantes do mundo.
Em 1995, uma exposição de 58 peças suas no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro e na Pinacoteca de São Paulo, alcançouum  público nunca antes reunido em evento de artes plásticas no Brasil,  cerca de meio milhão de pessoas.

 
“Auguste Rodin, Homem e Gênio”
Até 2012
Palacete das Artes – Projeto Rodin na Bahia / Salvador
Tel.: (71) 3117 6910
De terça a domingo 10h às 18h
Entrada: grátis

 

Um Comentário para “ Made in França: Rodin – Bahia já registrou mais de 14 mil visitações ”

  1. bertrand@graciously.vic” rel=”nofollow”>.…

    ñïàñèáî!…

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