Muito Barulho Por Nada

lois

 

De músicas que se inspiram em Kafka ao samba da judia, de fotografias a poemas, é difícil entender o propósito do coletivo Muito Barulho Por Nada, ou mesmo se há qualquer propósito. A ideia é se juntar, fazer música, escrever, fazer arte, descobrir novos talentos, novas possibilidades, misturar e esperar que alguma coisa saia daí. Apesar do nome de filme de sessão da tarde (Shakespeare que me perdoe), o coletivo reúne muita gente boa e talentosa, que tem produzido arte (com ou sem aura) da melhor qualidade e já se apresentou até em São Paulo.

Frustrados com os insucessos das bandas da adolescência, três amigos resolveram se juntar para fazer barulho. Gabriel Camões, João Vinícius e Breno Fernandes juntaram-se e começaram a gravar as reuniões e a compartilhá-las. Juntaram-se a eles Mariele Góes, Saulo Dourado, Álvaro Andrade, Marccela Vegah, Leandro Pessoa, Gabriel Pardal, Lois Blanco e Verônica Mendéz. Escritores, designers, músicos, jornalistas, poetas, juntos, sem propósito. No total, são onze pessoas, sendo que duas delas na Espanha e uma na França. O grupo é formado por jovens, de seus 20 e poucos anos, muitos deles ainda universitários.

 Eu, pessoalmente, sempre tive preconceito com bandas que começavam a recitar poemas no meio das apresentações. Achava um artístico barato, pretensioso, novaiorquino wannabe. A junção entre literatura e música, apesar de parecer perfeita, sempre tem que ser feita com cuidado, para que não se aproxime do brega, do piegas ou mesmo do, simplesmente, chato. Até que, no dia 28 de novembro, no lançamento da revista Fraude (revista realizada pelo Programa de Educação Tutorial da Facom), conheci o trabalho do pessoal. Taí, gostei, pensei. Era apenas a segunda apresentação deles (a primeira foi na Balada Literária, em São Paulo, na semana anterior), e apesar do improviso, de algumas pessoas sacudindo os bracinhos sem ter o que fazer, de um ou outro poema chato, o resultado não foi nada pretensioso (ok, só um pouco, afinal, várias pessoas do coletivo são da própria Facom) e agradou boa parte das pessoas que estavam no River’s Pub, no Rio Vermelho. Algumas delas sentadas na frente do palco, não desgrudaram os olhos.

 O resultado final é que há boa música, há bons poemas, há boas vozes e há, antes de mais nada, a vontade de fazer uma coisa nova e interessante, o que deve ser sempre levado em consideração. No final, o que se descobre é que é possível ser pretensioso, novaiorquino wannabe e até um pouco chato, contanto que se tenha um pouquinho de talento.

 Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do pessoal, basta acessar o blog, ou segui-los no Twitter.

2 Comentários para “ Muito Barulho Por Nada ”

  1. [...] noite de lançamento começou com o Coletivo Muito Barulho Por Nada, um grupo de amigos (grande parte deles, se não todos, ex e atual alunos da Facom) que fazem de [...]

  2. wales@prepayment.weather” rel=”nofollow”>.…

    tnx!…

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