Mercado do Peixe, Largo da Mariquita, Rio Vermelho

por Samuel Barros e Ledson Chagas

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Entre uma colônia de pescadores e um hotel cinco estrelas, no Largo da Mariquita, Rio Vermelho, fica o tradicional Mercado do Peixe. Ao contrário do que sugere o nome, o comércio do lugar gira em torno de refeições substanciais e bebibas, sobretudo, cerveja. Mas, segundo freqüentadores, o principal diferencial do lugar é que funciona 24 horas, todos os dias da semana. “De vez em quando, quando o movimento está parado a gente fecha na madrugada de domingo para segunda”, pondera Edileuza Sousa, 45 anos, cozinheira do box Malagueta.

Numa cidade em que as opções para virar a noite numa mesa de cerveja com os amigos é limitada, o Mercado do Peixe aparece como boa opção, com direito a vista para o mar e brisa, mesmo que não tenha banheiro, o que não é apontado pelo público como um grande problema.

Fim de tarde no Mercado do Peixe.

Fim de tarde no Mercado do Peixe.

De acordo com Maria da Glória, 38 anos, atendente do mesmo box, há uma grande variedade no público freqüentador do Mercado: pescadores, trabalhadores da construção civil, estudantes, “gringos”, “grã-finos” e artistas. “Até Lázaro Ramos e aquele colega dele, como é que é o nome mesmo… Wagner Moura, Mateus Nachtergaele, todos esses já apareceram aqui”, afirma. Na madrugada, o lugar é procurado também por quem sai de boates e festas e procura um lugar para comer alguma coisa e beber a última cerveja antes de ir para casa.

Os trinta boxes do Mercado oferecem, basicamente, o mesmo cardápio, que varia da maniçoba à rabada, passando pelo mocotó e sarapatel. As opções de bebida também não são muito variadas, apenas alguns bares buscam diferenciação, a exemplo do Malagueta que serve a “pinga com pimenta”. “O pessoal diz que é afrodisíaco, mas eu mesma nunca bebi”, afirma Maria da Glória.

No video abaixo, Seu Domingos, 54 anos, que trabalha no mercado já há vinte anos, dez deles como cozinheiro no box Nega e Riso, fala das opções disponíveis no cardápio.

Bandas de pagode, arrocha e seresta animam a noite do Mercado. Mas, segundo Edileuza, que trabalha num box cujas atrações são cantores de seresta, “é no pagode onde ocorrem os telequetes (brigas), por causa dos ‘sacizeiros’” que vão até lá.

Enfim, é mais um recanto em Salvador voltado para o consumo, que guarda muitas das contradições da cidade, mas que também proporciona alegrias.

Mudanças para a Copa do Mundo

E como nem só de diversão vive o velho mercado, uma nova questão pauta as conversas no local. Com a realização da Copa do Mundo de 2014, uma reforma, proposta pela Prefeitura Municipal de Salvador, está gerando polêmica entre os proprietários, funcionários e freqüentadores. O grande problema é o aumento da taxa mensal cobrada aos proprietários dos boxes. As opiniões estão divididas quanto aos benefícios e prejuízos trazidos pela reforma.

Segundo Domingos, a nova taxa é abusiva. Nos dois boxes em que trabalha, por exemplo, ambos do mesmo proprietário, a taxa subirá de R$ 400,00 para cerca de 3 mil. “Eles dizem que estão priorizando o trabalhador, mas não é verdade. A gente não vai ter dinheiro para pagar essa taxa”, afirma Domingos.

Paulo Sergio Maia, proprietário de box Cantinho do Luan, é favorável a reforma proposta pela Prefeitura.

Paulo Sergio Maia, proprietário de box Cantinho do Luan, é favorável a reforma proposta pela Prefeitura.

Paulo Sérgio Maia, 50 anos, proprietário do box Pontinho do Luan, afirma estar otimista com a reforma. “Sou a favor. Isso vai gerar a volta dos clientes, vai trazer mais conforto e segurança”, enfatiza. Ele afirma ainda que, atualmente, paga R$ 90,00 de taxa, mas com a reforma, passará a pagar 1,1 mil e, quanto a isso, também não está satisfeito, “Você não tem voz nenhuma contra a prefeitura. O que eu posso fazer? Agora, depois, vamos correr atrás para tentar baixar essa taxa”. Domingos reitera a sensação de resignação quanto ao caso, “Vamos ter que aceitar o preço que eles botarem. Vender o ponto, a gente não pode. O negócio é esse mesmo”.

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a Secretaria de Municipal de Serviços Públicos (SESP), através dos números de telefone informados no site da prefeitura, mas não obteve sucesso.

Vista do pôr-do-sol no Mercado do Peixe

Vista do pôr-do-sol no Mercado do Peixe

Um Comentário para “ Mercado do Peixe, Largo da Mariquita, Rio Vermelho ”

  1. botanical@resuspension.andrew” rel=”nofollow”>.…

    tnx for info!…

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