Futebol x Educação

Futebol e educação sempre jogaram em campos opostos nos clubes de futebol do Brasil e por conta disso muitos jogadores acham que não precisam estudar para crescer profissionalmente.  Conciliar os treinos, que muitas vezes duram o dia todo, com aulas a noite é um dos maiores motivos para que estes atletas não queiram frequentar as escolas, mas para continuar vivendo no clube e futuramento poder ascender da categoria de base para o time profissional, agora, é preciso não somente mostrar qualidade em campo, mas também frequentar as aulas.
Meninos da base em dia de treino.

Meninos da base em dia de treino.

Categorias de bases de clubes baianos, como o do Vitória, desempenham um importante papel nessa disputa para conscientizar  atletas a valorizarem seus estudos, acompanhando de perto o rendimento escolar de seus jovens jogadores. O coordenador da divisão de base do clube, João Paulo Sampaio, 33, garante flexibilidade para os atletas que se dedicam também aos estudos. “A gente primeiro dá maior apoio com relação a transporte, temos um ônibus que leva e traz os atletas”, afirma Sampaio. Aulas aos sábados só quando é véspera de BA-VI. ”Pedimos para eles ficarem aqui, mas normalmente apoiamos para estarem nas suas aulas. Achamos muito importante. Quanto mais culturalmente formados tiverem é melhor para trabalharmos com eles. Então estamos sempre facilitando”, comenta. Hoje, o coordenador demonstra a flexibilidade que acha adequada. Segundo ele, há 15 anos, quando jogou nas divisões de base do Bahia e do Vitória, tinha que tirar dinheiro do seu próprio bolso para permanecer estudando. Além do apoio do clube, as possibilidades de convênio ampliam as perspectivas.

"Quanto mais culturalmente formados tiverem é melhor para trabalharmos com eles"

"Quanto mais culturalmente formados tiverem é melhor para trabalharmos com eles"

Um convênio firmado entre o Vitória e a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) oferece bolsas de estudos aos atletas do clube, que em contrapartida os cede para representar a faculdade em competições esportivas. Antes de ingressar na faculdade, concluir o ensino fundamental é também uma batalha. Jogadores que residem no centro de treinamento do clube merecem uma maior atenção. A maioria dos 56 jovens jogadores vem do interior e somam-se aos de Salvador, quase sempre de bairros periféricos, apresentando grandes problemas financeiros. Todos estão matriculados em escolas, sendo apenas 40% em escolas particulares. “A maioria vem do interior, principalmente da roça, e sentem estrema dificuldade para acompanhar o ritmo puxado de uma escola particular da capital. Por isso a maioria estudam em escolas públicas. Já os atletas que vem da cidade, são maioria nas escolas particulares, também por terem os pais aqui mais próximos para estarem cobrando um bom desempenho deles”, explica Sampaio.

A fiscalização do Ministério Público Federal é constante, numa tentativa de cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente.  Clubes que abrigam jovens podem até fechar caso descumpram o conteúdo da lei. A assistente social do Vitória, Diana Sallenave, 25 anos, confessa que a maior dificuldade é a falta de interesse dos jovens jogadores. “O que a gente faz aqui com relação aos estudos é cobrar para que eles, além de freqüentar, se interessem pelas aulas. Porque não adianta ir obrigado. Temos que mudar essa cultura de que jogador de futebol não precisa estudar. E mudar isso é muito difícil, quase impossível”, indica Diana.

O maior índice de desistência das escolas parte dos atletas mais velhos, entre 18 e 20 anos. Em casos como esses, o clube promove medidas punitivas, como treinar separado dos outros jogadores, uma alternativa para punir apenas o atleta e não o clube, já que deixando de treinar o atleta não joga, prejudicando a equipe. Deixar de particpar de eventos, como assistir os jogos do time profissional no estádio do Barradão, e não sair do clube nos horários das aulas perdidas são mais duas punições dadas aos desistentes. Diana aponta três principais agravantes para o desinteresse dos jogadores com a escola: além da cultura de não precisarem estudar, a precariedade do ensino público e o interesse somente pelo futebol são graves empecilhos. Há no Vitória três prateleiras de livros de todas as matérias que foram doados pela Associação Vitória Forte (AVF), inclusive, livros de inglês e enciclopédias. Cadernos e canetas também foram doados ao clube, que ainda disponibiliza computadores para pesquisas e trabalhos. Mesmo assim, os resultados não são os esperados. “Agente ajuda, eu sento, oriento sobre os trabalhos, qualquer dúvida estamos sempre tirando, mas não resolve o problema. Então se trata de desinteresse mesmo”, reclama a assistente social.

Oito jogadores do do Esporte Clube Vitória fazem faculdade – todos pelo convênio com a FTC. Nenhum deles reside no clube pelo fato de atuarem no time profissional ou não terem mais a idade máxima permitida de 18 anos. A estimativa de que poucos conseguirão sucesso na vida profissional, graças a imensa dificuldade que é vencer na carreira, é um pensamento fundamental no Vitória para continuar a apoiar os estudos dos seus atletas. Aprender é considerado no clube algo essencial para que os jogadores tenham outras possibilidades além do futebol.  “Na verdade, 80% ou 90% deles não serão bem sucedidos. Sendo que depois para ingressar no mercado de trabalho será bem mais difícil. Portanto, eles já saem daqui, pelo menos, com o segundo grau completo”, garante Sampaio. Como forma de incentivo aos atletas, o clube promove palestras sobre a importância dos jogadores continuarem estudando, como preparativo para a vida pessoal. As palestras efatizam a importância dos estudos, na tentativa de conscientizá-los sobre a possibilidade, real e majoritária, de não obterem sucesso na vida como um jogador de futebol.

2 Comentários para “ Futebol x Educação ”

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