Caso da aluna humilhada na Uniban gera protestos

untitledNas duas últimas semanas, o principal assunto da imprensa tem sido o caso da estudante de turismo da Uniban, Geisy Arruda. Depois do dia 22 de outubro, quando a aluna compareceu à universidade trajando um curto vestidinho rosa, a sua vida deu uma reviravolta. O episódio foi filmado pelos alunos e os vídeos foram colocados no YouTube com o título nada lisonjeiro de “A puta da Uniban”. O Google já tentou de tirá-los do ar, mas muitas das gravações ainda podem ser encontradas no site. Nestes, a aluna aparece cercada de alunos, gritando insultos e frases ofensivas.
Respondendo à grande quantidade de acessos dos internautas, a história ganhou repercussão imediata e chegou a ser publicado em jornais internacionais de grande circulação, como o New York Times, The Guardian e o Telegraph. Logo a aluna estava sendo elevada a posição de celebridade instantânea, virando pauta constante de portais como Terra, Msn e G1. A partir de então, começaram a chover notícias como: “Tumulto na Uniban ganha axé de protesto no YouTube”, “Após escândalo da minissaia, Geisy muda o visual”, “Geisy Arruda estrela campanha de lingerie”, “Geyse Arruda, da Uniban, vai ao ‘Casseta & Planeta” (programa que foi ao ar em 17/11), e “Quiz: teste seus conhecimentos sobre o caso da aluna hostilizada na Uniban”…
Instituições como a OAB-SP, o PROCON, a Força Sindical e a UNE logo partiram em auxilio à garota. A opinião pública, no entanto têm se mostrado dividida, principalmente por conta das constantes aparições públicas, nas quais, a aluna sempre se apresenta com trajes mais ousados. Apesar disso, em universidades do país inteiro têm sido realizados protestos contra a discriminação ocorrida no dia 22 e principalmente, contra a decisão (já revogada) da faculdade, de expulsar a aluna. Na UFBA, alunos da Facom pregaram pelas paredes da faculdade, cartazes em que se podem ler frases como: “Vestido curto pode, o que não pode é cérebro curto”, em São Lázaro, alunos do Instituto de Psicologia se vestiram com roupas de papel (por cima das roupas “comuns”) e escreveram notas como “de vestido ou mini-saia, o direito é todo meu”. A estudante de psicologia Fernanda Cruz, que participou do protesto na UFBA, defende: “Não interessa se ela gosta de se vestir de um jeito vulgar ou não, ninguém pode tratar ela assim, principalmente uma estudante. Ela tem direito a liberdade”, e reitera: “É muita hipocrisia, num país como o Brasil, em que desfilam sem roupa no carnaval, as pessoas ficarem falando que usar tal tipo de roupa é vulgaridade”. Já a estudante de administração da Uniban, Kelly Cristina Garcia, que estava presente no dia da confusão, afirma em reportagem que é contra a postura de Geisy, “Xingar eu não xinguei, mas deu vontade sim. Ela estava denegrindo a imagem da mulher”.
Geisy ainda não voltou a estudar, afirma que teme retaliações e que pretende mudar de faculdade. Mas enquanto ela não se define, parece estar aproveitado bastante bem os seus 15 minutos de fama, ou melhor, de polêmica.

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