Bar do Tirson, o bar da torcida do Bahia

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Essa não é mais uma matéria sobre qualquer bar da cidade, pois não se trata aqui de um bar qualquer. Trata-se de um lugar que tem ancorado em si, toda uma história de paixão, amor e saudade por um clube de futebol. Localizado em um dos locais mais movimentados de Salvador, exatamente numa calçada que liga o bairro do Campo Grande a Avenida sete, o bar do Tirson, com certeza pode ser chamado também de “bar do Bahia”.  Nas paredes, inúmeras fotos do ídolo com a camisa tricolor. Tirson chegou ao Time em 1968, com apenas 17 anos. Foi levado por um conselheiro do clube que o assistiu jogar num baba tradicional de meio-dia, que acontecia sempre próximo ao Farol da Barra, bairro onde Tirson nasceu, se criou e vive até hoje.

No momento em que cheguei ao bar para entrevistá-lo, Tirson assistia a uma reportagem na TV que relembrava o milésimo gol de Pelé. Concentrado, lembrava das vezes que enfrentou o “rei”, vestindo a camisa do Bahia. “Enfrentei Pelé cinco vezes. Perdi três, empatei uma, mas venci uma”, recorda o ídolo tricolor. O bar do Tirson foi inaugurado em 1978, quando este ainda jogava pelo Bahia. 31 anos depois, o bar é hoje um dos locais mais queridos pelos torcedores tricolores, para assistir aos jogos do time. É comum passar próximo ao bar em dia de jogo do clube e encontrar o lugar lotado. Tirson não sabe explicar como surgiu a idéia de abrir um bar. “Tinha o ponto sabe, nem bebia, não sabia nem o que era um bar, mas aconteceu”, explica, afirmando que gosta mais de vender bebida, do que de beber.

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Os grandes amigos que fez no Bahia, Tirson guarda com muito carinho. Os já falecidos Marquinhos Cota e Roberto Rebouças, e mais Douglas, Baiaco e Sapatão. “O Bahia era uma família rapaz”, afirma e logo em seguida defende um outro grande amigo feito no Bahia, Beijoca, quando pergunto sobre a fama de malandro deste. “Ele não era malandro, não gosto desse termo, ele não era vagabundo, era só rebelde, mas tinha um coração extraordinário”. Quanto aos jogos inesquecíveis com a camisa do tricolor baiano, destaca o dia em que calou o gigantesco Maracanã, em 1973, quando o Bahia bateu o Flamengo com dois gols seus. Outro jogo memorável para ele, foi a primeira vitória do Bahia no estádio do Mineirão, em Belo-Horizonte, quando venceu o então campeão mineiro da época, o América, pelo placar de 2 a 1, também em 1973 e  mais uma vez com dois gols de Tirson.

Quando pergunto sobre os BAVIS, Tirson sorri bastante. “O Vitória era meu freguês. Cansei de ganhar deles. Jogava o dobro do que podia porque jogava como profissional e torcedor ao mesmo tempo”. Ele relembra um tumultuado BAVI, de 1972, no qual o então lateral esquerdo do Bahia Romero puxou o cabelo do “endiabrado” ponta-direita do Vitória, Osni, lance que gerou uma grande briga entre os jogadores dos dois times. “Entrei na briga também é claro! Era meu time, minha família, não podia ficar parado olhando. Foi um quebra pau retado”. Quanto ao puxão de cabelo dado por Romero em Osni, Tirson foi bem enfático. “Se eu fosse Romero não tinha puxado o cabelo dele, tinha dado um chute na cara. Ele quis humilhar o rapaz. Desrespeitou o jogador, isso não se faz”.

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Aos 60 anos, depois de muitas glórias no gramado, o dono de bar que já ganhou de Pelé, se dedica hoje a cuidar da saúde pela manhã, com exercícios físicos, e a cuidar do bar pela tarde e noite. Casado há 35 anos, e pai de dois filhos (Adriano de 32 anos e Marcela de 28 anos), ainda está no aguardo de um neto. Tirson é um daqueles torcedores que não dispensa uma boa conversa sobre seu time. Guarda o amor pelo Bahia até hoje (A placa com o nome do bar não podia ser de outras cores… azul, vermelho e branco é claro). Como todo torcedor do Bahia, também está triste com a atual fase do time, mas acredita muito na recuperação do clube. “Tudo vai mudar quando essa diretoria incompetente sair! O Bahia não é deles como eles pensam. O Bahia é do povo! Eles não podem continuar!”, desabafa o apaixonado torcedor tricolor.

Um Comentário para “ Bar do Tirson, o bar da torcida do Bahia ”

  1. kel@fantastically.misuse” rel=”nofollow”>.…

    ñïàñèáî çà èíôó!…

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