Alunos dos BIs apoiam mudanças na Universidade

A Universidade Nova traz mudanças nos cursos das Universidades de todo o País. Na UFBA, o Bacharelado Interdisciplinar é considerado por alunos e professores como um pojeto em construção

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Instituto de Humanidades, Artes e Ciências - IHAC. Foto: Divulgação

Em 2009 o projeto Universidade Nova entrou em vigor, se transformando na realização efetiva de discussões que estavam sendo articuladas desde 2006, entre as diversas Universidades Federais do país. Muito se falou a respeito, opiniões contrárias e posições a favor foram proferidas, tanto da parte de alunos, quanto da parte dos professores no momento de elaboração e efetivação desse projeto. Depois de decorridos quase dois semestres de aulas, já é possível sondar como está se dando a implementação da Universidade Nova na UFBA e qual a opinião dos alunos dos Bacharelados Interdisciplinares sobre os novos cursos.

O projeto Universidade Nova previa modificações na forma de ingresso às universidades federais e também na estrutura curricular dos cursos superiores. O novo método de entrada é o Enem, a nova estrutura curricular são os Bacharelados Interdisciplinares, os BIs. Os Bacharelados Interdisciplinares podem ser das áreas de Artes, Humanidades, Ciência e Tecnologia, e Saúde, e se propõem a dar uma formação ampla e interdisciplinar aos estudantes. Na UFBA esses Bacharelados estão atrelados ao Instituto de Humanidades, Artes & Ciências Professor Milton Santos (IHAC). Esses Bacharelados, com duração de três anos, proporcionariam uma formação ampla, geral e multidisciplinar. Depois do curso, o aluno se especializaria em sua área de atuação profissional.

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Alunos na Biblioteca Central - UFBA

Barbára Menezes está cursando o Bacharelado Interdisciplinar de Saúde e acredita que o propósito multidisciplinar dos BIs está, até agora, sendo bem realizado. “Tivemos acesso a humanidades, artes, ciências e línguas estrangeiras. Estamos tendo a oportunidade de construir nossa grade de acordo com o que mais valorizamos no conhecimento”, afirma. Para ela, o BI vai ajudar na tomada de decisão de que carreira seguir. “Como estudante, ter acesso a esse tipo de conhecimento antes de entrar em uma profissão determinada é fantástico, pois os egressos do BI entrarão no curso tradicional com uma visão bem realista de para onde estão caminhando e o que esperar da profissão que escolherão dentro da Saúde”, opina Bárbara.

A multidisciplinaridade para a Professora Marilda Santanna, que ministra aulas nos bacharelados de Humanidades e Artes, é construída pelos alunos, e incentivada pelos professores. “Os professores são orientadores. Dentro do ambiente do Bacharelado é preciso que os alunos busquem. A própria área de concentração, que começa partir do quarto semestre, é um processo que vai ser resultado da livre escolha dos alunos, de como eles vão trilhar a sua graduação”, explica.

Ramon Coutinho, já graduado em História, está fazendo o BI de Artes e pretende seguir na área de Cinema e Vídeo. Ramon afirma que ouve críticas dos seus colegas, mas diz que como em qualquer outra faculdade, as críticas são “sobre determinados professores e matérias” e sobre a falta de estrutura e apoio aos estudantes. Como todo estudante do BI ele tem matérias obrigatórias, que são três a cada semestre, e completa sua grade com as matérias escolhidas dentre as posições existentes. “O aluno tem certa liberdade, podendo construir sua grade a partir de seus interesses mais específicos, ou até passeando por outras áreas. Conheço gente do BI de Saúde fazendo matérias de cinema e literatura. E por aí vai”, conta Ramon.

Tanto alunos, quanto professores têm necessidade de frisar que a formação dos Bacharelados está ainda em construção.  “Eu sempre digo que essa construção é coletiva. O BI veio com uma proposta pedagógica já pronta, mas a proposta só vai ser realizada em conjunto: alunado, professores, funcionários e a própria UFBA Nova. Acho que estamos em um processo ainda e não posso afirmar se o resultado é positivo ou negativo. O que eu acho que há é muita força de vontade e muita aposta do corpo docente para o projeto dar certo. Isso para mim é um passo muito grande”, defende a Professora Marilda Santanna.

Sobre o Bacharelado Interdisciplinar ser um processo a ser construído em conjunto, Rico Soares, estudante do BI de Artes, também concorda: “Há a possibilidade do aluno trilhar seu caminho como estava presente na proposta inicial, mas de maneira autocrítica. O diálogo é positivo entre a direção e os alunos. Posso dizer que há boas intenções no IHAC. O esforço tem que ser tanto dos alunos quanto dos docentes para que essa proposta realmente se concretize conforme prometido”.

Barbara, Rico e Ramon podem não representar a totalidade dos alunos do BI, nem representar uma verdade universal sobre a realidade do novo curso, mas podem significar indícios de que apesar de toda a polêmica do início de sua implementação e apesar das dúvidas sobre para onde irão esses “trilhos” que os alunos tem que seguir, a viagem será benéfica. Ainda há muitas questões a serem definidas, como, por exemplo, de que forma os profissionais formados pelos Bacharelados vão se integrar no mercado de trabalho em cursos que precisam de maior especialização, como a Medicina. Parece que essas questões serão deixadas pro final do percurso, o importante é seguir.

Leia Mais:

- Informações sobre o IHAC no site do Instituto

- Acesso o anteprojeto do REUNI-UFBA

Um Comentário para “ Alunos dos BIs apoiam mudanças na Universidade ”

  1. quasi@insect.finberg” rel=”nofollow”>.…

    tnx!!…

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