O Lustre

lustre barroco

O Lustre era belo. Brilhava soberano no centro da sala de receber visitas. Todos comentavam… “Que lustre lindo dona”… motivo de avareza desta… provocava ira nas outras… O lustre era belo. Tinha pedaços de diamante que atiravam luzes como a lua. Não era grande, mas também não era pequeno. Era um lustre, e ele era belo. Como era belo o lustre. Enganava a todos que ali chegavam… “Você viu que lustre caro Arnaldo”, comentou a mulher com seu marido logo ao sair da sala. Única peça de valor da casa, sustentava sozinho todo o peso da aparência dos moradores daquele lugar. Às vezes não se tinha do que comer naquele lar, mas tinha o lustre, e ele era belo. Como era belo o lustre. O patriarca da casa herdou como herança de um ancestral muito, mais muito distante mesmo – acho que do bisavô do seu avô, algo assim – pensou em vender para comprar um carro importado. Sua esposa pensou logo em jóias, perfumes, roupas… Mas foi só a primeira visita tecer o primeiro comentário sobre o lustre, e a fama deste se alastrar pela vizinhança, e pronto… Não precisavam de mais nada daquilo que iriam comprar. Nem precisava mais também da fome, suas e dos seus filhos, que não era tão importante assim como aquele lustre, que era belo.

Daniel Mendes, estudante de Comunicação-Jornalismo da FACOM/UFBA.

Escrevo poesias e crônicas no meu blog pessoal

http://www.diariodopassaro.blogspot.com/

E escrevo também sobre música caribenha no blog

http://www.maiscaribe.blogspot.com/

parceria minha com o programa +CARIBE da Rádio Educadora FM.

Um Comentário para “ O Lustre ”

  1. provincial@dei.flips” rel=”nofollow”>.…

    thanks for information!!…

Deixe um Comentário

Pode usar estas tags XHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>