A espera

Por Paula Paz

É engraçado sentir o silêncio que precede os momentos mais importantes da nossa vida. Agora, escrevendo no limiar entre amadora e profissional, ouço os passos nas escadas e nos corredores, o som de cada qual procurando o seu lugar.
Este, aliás, é o motivo de estar aqui agora: a busca pelo meu lugar.

Talvez poucos me entendam, talvez muitos me julguem louca. Meu desejo é não ser um Cara Estranho que “parece não achar lugar no corpo em que Deus lhe encarnou”. Eu sei aonde devo estar hoje: não deveria estar em outro lugar além de aqui, nesta sala de aula tensa, numa manhã de domingo, aguardando o famigerado pacote preto lacrado que guarda aquilo que eu devo saber para chegar ao meu ideal. Não bastaria apenas o meu desejo reprimido de tantos anos como prova de que mereço estar ali? Não. Minha vontade é a mesma de tantos, dos meus 12 concorrentes para cada uma das 60 chances de uma nova vida.

Sim, uma nova vida. Para mim, pelo menos, é. Não é por um canudo, por um status, por um salário milionário. É por cada fibra do meu ser que pulsa enquanto escrevo.

Acabou meu tempo. Agora sou apenas eu, o caderno de questões e a folha de respostas. E este coração a bater cada vez mais rápido, na ânsia da expectativa deste encontro.

Ainda que não a toque, já sinto o seu cheiro. E já me sinto vitoriosa apenas pelo fato de ter rompido tantas amarras e estar correndo em direção a ela. Eu não desisti. Eu me libertei.

Olá, UFBa.

(16 de novembro de 2008, 8:05 – sala 363 do Colégio Góes Calmon, Salvador-BA – 1º dia da 1ª fase de provas do vestibular UFBa 2009)

Paula Paz passou no vestibular e agora cursa o primeiro semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia.

Um Comentário para “ A espera ”

  1. fanning@acquaintance.commotion” rel=”nofollow”>.…

    hello!!…

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