Artistas fazem os mais diversos usos do QR Code
PET SHOP BOYS CRITICAM A VIGILÂNCIA
Já em 2007, os ingleses do Pet Shop Boys lançaram o videoclipe da música Integral. A grande surpresa é que, no vídeo, havia muitos QR Codes inseridos. O que estava escondido neles? Pois links para diversos sites e blogs que abordam a questão da privacidade e da liberdade numa época em que a questão da vigiliância constante ainda é pouco discutida. É sobre este que a letra trata:
Everyone has [Todos têm]
their own number [seu próprio número]
in the system that [no sistema que]
we operate under [nós operamos]
We’re moving to [Estamos caminhando para]
a situation [uma situação]
where your lives exist [na qual suas vidas existem]
as information [como informação]
Os comentários elogiosos no YouTube provam o quanto o projeto foi bem recebido.
GRAFITE EM SALVADOR
Em Salvador, no bairro do Garcia, já há algum tempo que um muro, nas proximidades do colégio Antônio Vieira, exibe um QR Code grafitado, bastante chamativo, seguido da legenda “MEIO-FIO”. A reportagem de Lupa tentou decodificá-lo, mas não conseguiu – o código funciona realmente ou é só uma representação ilustrativa? Fica o mistério.
Tanto este quanto o videoclipe dos Pet Shop Boys são exemplos de como as artes tradicionais estão incorporando o QR Code em sua linguagem. Há artistas, porém, imbuídos em fazer o rumo inverso, em usar o QR COde como ponto de partida para sua criação. A este tipo de manisfetação dá-se o nome de locative media art (arte com mídia locativa), ou simplesmente locative art (arte locativa). O termo, segundo André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e estudioso da cibercultura, foi cunhado por artistas que se valem de ferramentas como celulares, PDAs, GPS em seus trabalhos. Com este nome, buscavam também diferenciar-se do uso publicitário dessas tecnologias.
ROSA DOS VENTOS DOS NOSSOS DESEJOS
A mineira Martha Gabriel, engenheira de formação, criou no ano passado a Rosa Sensível, “uma rosa dos ventos interativa formada por mobile tags que mapeiam os desejos das pessoas” e cuja intenção é “‘navegar’ nos desejos das pessoas, de forma velada, por meio de uma poética codificada de tags que, a olho nu, não pode ser decifrada.”
A Rosa Sensível funciona da seguinte forma: no canto inferior-direito há um QR Code com a legenda “Entrance”. Ao decodificá-lo, abre-se uma janela perguntando, em inglês, o seu nome e o que você deseja da vida. As opções para o seu desejo são amor, paz, sabedoria, família, etc. etc. Após dar OK, um QR Code (chamado de “mobile tag“, etiqueta móvel) é gerado e vai para o banco de dados onde todas ficam armazenadas, e de onde sairão para gerar a Rosa Sensível. Ao fotografar um elemento da rosa, pode-se ler frases do tipo:
“Anonymous wants to Revolutionize” (Anônimo quer Revolucionar),
ou
“neno wants Work” (neno quer trabalho),
por aí.
CELULARES TOCAM SUITE IMPROVISADA
Desde o dia 9 de março, e até o dia 19 de abril, durante a quarta edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica no Rio (FILE RIO), a professora da USP Giselle Beiguelman apresenta o projeto Suite para Mobile Tags. Suite é o nome dado a um conjunto de movimentos instrumentais dispostos com algum elemento de unidade, tocados sem interrupções. O primeiro movimento da suite de Beiguelman foi feito a partir de oito celulares, cada um com um QR Code ao lado, contendo seu respectivo número. Ao decodificar um destes QR Codes, o espectador fazia o telefone exposto emitir um ringtone. Numa sala cheia de pessoas, elegendo aleatoriamente os códigos a acessar, uma suite totalmente improvisada é criada. Confira um vídeo com uma pequena amostra do que acontece na instalação de Beiguelman.
Saiba mais:
- QR Code 2.0: o código de barras será capaz de armazenar muito mais dados.
- O QR Code chegou a Salvador.
- Como instalar um leitor de QR Code em seu celular.





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